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PSDI prevê que novas indústrias no semiárido ou regiões de fronteira recolham 6,2% do ICMS
* Por Carlos Lordelo
Em outubro de 2007, o governador Marcelo Déda apresentou oficialmente a instalação de duas novas indústrias em Sergipe: a Usina Gentil Barbosa, da empresa genuinamente sergipana Agro Industrial Campo Lindo, e a Arumã Produtora de Embalagens do Sergipe, da multinacional norteamericana Crown Cork. A usina, que produz etanol e biodiesel em Nossa Senhora das Dores, foi inaugurada em novembro de 2008 a partir do investimento de R$ 150 milhões, gerando 1.380 postos de trabalho. A Arumã está produzindo latas de alumínio para bebidas como refrigerantes, cervejas e sucos desde o início deste ano e já emprega 70 profissionais de nível superior e técnico, além de outros 18 funcionários de empresas terceirizadas.
Instalada no município de Estância, a Arumã representa o maior investimento privado da indústria de transformação em Sergipe nos últimos 10 anos. A Crown Cork investiu R$ 120 milhões nesta que é a segunda planta industrial do grupo no Brasil destinada a produzir corpos de latas. A primeira iniciou suas operações em 1996 na cidade paulista de Cabreúva, distante 57 km da capital São Paulo, e atualmente produz 2,5 bilhões de unidades a cada ano. A meta da fábrica sergipana é produzir em torno de 1 bilhão de latas anuais, com o diferencial de que a Arumã pode fazer os latões de 473ml, cuja procura pelos clientes está crescendo.
De acordo com Rinaldo Lopes, presidente da Crown Embalagens para a América do Sul, o grupo decidiu investir no Nordeste brasileiro em 2006 e conseguiu a aprovação dos acionistas no começo do ano seguinte. A escolha por Sergipe aconteceu por uma série de fatores. “Temos um histórico muito forte de atuação no estado, onde já instalamos fábricas de produtos químicos e tampas metálicas. Por isso, também conhecemos a qualidade da mão de obra do sergipano e sua capacidade de aprendizado”, conta.
Trabalho do Governo
Além desses elementos, o trabalho desenvolvido pelo Governo do Estado teve impacto decisivo na hora de optar por Sergipe. “Quando decidimos fazer o investimento no Nordeste nós escolhemos alguns estados e fizemos comparações. Todos nos davam incentivo fiscal de maneira parecida, mas o histórico da Crown em Sergipe e a atuação profissional e competente da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia [Sedetec] foram fatores muito importantes para a decisão”, enumera Rinaldo Lopes.
Para o secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico, Jorge Santana, a Sedetec facilita os encaminhamentos das indústrias que querem se instalar em Sergipe e apoia os empreendimentos já estabelecidos no território do estado. “Muitas vezes faço isso pessoalmente, como foi no caso da Crown, indo até a sede da empresa em São Paulo para colocar nossa estrutura à disposição dos dirigentes da companhia. Também mediamos a interlocução com órgãos municipais, estaduais e municipais, sobretudo aqueles responsáveis pela concessão de licenças”, diz o secretário.
A Arumã foi beneficiada pelo Programa Sergipano de Desenvolvimento Industrial (PSDI), que visa incentivar e estimular o desenvolvimento sócio-econômico do estado através da concessão de apoio a investimentos. A empresa está recebendo apoio fiscal, isto é, tem 92% de desconto no pagamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), e de infraestrutura.
Localizada na altura do quilômetro 133 da BR-101, a fábrica tem 18.187 m² de área construída. Para melhorar o acesso à indústria, o Governo do Estado, por meio do Departamento Estadual de Infra-Estrutura Rodoviária de Sergipe (DER/SE), executou os serviços de terraplenagem completa, pavimentação, descida de água, drenagem e implantação de meio-fio. O acesso corresponde a um trecho aproximado de 1,8 km.
“O PSDI não foi criado nesta administração, mas o que nós temos feito é um trabalho muito articulado entre a Sedetec e a Codise [Companhia de Desenvolvimento Industrial e de Recursos Minerais de Sergipe] com foco na atração de investimentos para o estado. Atendemos os empresários sem burocracia e fazemos um acompanhamento bem criterioso não só para atrair novas indústrias, mas também com o objetivo de manter as empresas e empregos já existentes. Os resultados têm sido compensadores”, explica João de Oliveira Lima, diretor de Industrialização da Codise.
Ainda segundo Lima, interiorizar o desenvolvimento e promover a distribuição de renda são preocupações fundamentais do Governo do Estado. Para isso, a Codise está estimulando o fortalecimento dos parques industriais no interior de Sergipe. “Nossos incentivos são maiores quando o empreendimento é deslocado para o interior do estado e, por parte dos bancos estatais, os benefícios de linhas de crédito também são melhores. Cidades que já tenham vocação para determinado tipo de indústria e com escolas técnicas de ensino profissionalizante e faculdades têm preferência”, justifica. O PSDI prevê que os empreendimentos industriais novos a serem instalados no semi-árido ou em regiões de fronteira do estado recolham apenas 6,2% do ICMS, em vez de 8%.
Geração de emprego
O engenheiro de controle de automação Alex Giorgiani, de 35 anos, trabalha na Crown desde que se formou em Engenharia Mecatrônica, em 1997. Giorgiani é um dos engenheiros que vieram transferidos da fábrica paulista para colocar a Arumã em funcionamento e é responsável por uma das quatro equipes da unidade industrial, que funciona 24 horas por dia em turnos de 12 horas. “Os colaboradores precisam ter a qualificação técnica necessária para fazer com que estas máquinas produzam, porque a tecnologia é muito avançada”, diz o presidente Rinaldo Lopes.
Cinqüenta dos 70 funcionários são técnicos em mecânica ou em eletrônica. Em decorrência dessa necessidade específica, muitos colaboradores são de Aracaju. “Nós gostaríamos de ter mais colaboradores das cidades ao redor, mas acabamos concentrando mais em Aracaju, uma vez que as pessoas da capital estão mais preparadas tecnicamente”, conta Lopes. Segundo ele, a Crown vai estabelecer uma parceria com a prefeitura de Estância e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) para o desenvolvimento de cursos que ajudem a empresa a formar mão de obra na região.
O técnico em eletrônica Décio Dionísio, de 25 anos, é um dos que se deslocam de ônibus da capital sergipana para a fábrica três vezes por semana, assim como todos os funcionários que seguem a rotina de 12 horas de trabalho por dia. Ele é baiano e reside em Aracaju há 15 anos, mas já está acostumado a trabalhar no interior. Antes da Arumã, Décio estava na Vale, localizada em Rosário do Catete, onde lidava com a exploração subterrânea de potássio. “Amigos meus que trabalhavam na Crown me disseram que a empresa era boa. Daí eu resolvi tentar o emprego e consegui. No Governo anterior Sergipe não teve muita indústria nova e as coisas só melhoraram agora com a atual administração”, afirmou o técnico.
A história do alagoano Lázaro Vieira é semelhante à de Décio Dionísio. Aos 34 anos, ele já mora na capital sergipana há 17 e trabalhou em empresas como a Santista Têxtil, em Nossa Senhora do Socorro, e na Votorantim, em Laranjeiras. Lázaro é técnico em mecânica e desempenha suas funções no equipamento que lava as latas. “Este trabalho do Governo de atrair indústrias é muito bom. Nós vemos pais de família desempregados e a gente sabe que o emprego é que dá uma vida digna à família. Então, quanto mais emprego, melhor”, finaliza.
Para o também técnico em mecânica Valtenilson dos Santos, 35, natural de Carira e morador de Aracaju desde os seis anos, a atuação do Governo do Estado é benéfica para a cadeia produtiva sergipana. “Quanto mais indústrias, mais competitividade e mais empregos. Não basta abrir novos empreendimentos, é preciso que o Estado os mantenha abertos e funcionando”, disse o operador de máquina, que já trabalhou na fábrica de tampas da Crown em Sergipe antes de ser contratado para a Arumã.
Fortalecimento do Nordeste
A própria posição geográfica do estado serve como um dos principais atrativos à instalação de novos empreendimentos. No caso da Arumã, o estudo de logística desenvolvido pela Crown Cork concluiu que Sergipe tem a melhor localização para atingir o maior número de clientes com o menor custo de frete, quando comparado com outros estados nordestinos. “É possível colocar nove milhões de tampas metálicas num caminhão, mas só cabem cerca de 200 mil latas no mesmo espaço. A lata precisa estar próxima do cliente”, exemplifica Rinaldo Lopes.
Segundo o presidente da Crown, toda a produção da Arumã será voltada para as empresas situadas na região Nordeste, principalmente a Ambev, a Coca-Cola e a Schincariol. “Nós investimos onde tem consumo, e o consumo no Nordeste tem crescido acima de qualquer outra região brasileira devido aos programas sociais implantados pelo Governo do presidente Lula. A demanda cresceu rapidamente e nossa previsão é ampliar a fábrica no futuro, investindo mais R$ 10 milhões”, informa Lopes.
Além da localização geográfica e dos incentivos fiscais, as indústrias estão se deslocando para Sergipe em função do crescimento da participação do Nordeste no mercado consumidor brasileiro. “Atualmente, o percentual de absorção do que é produzido em Sergipe é bastante significativo, se compararmos com o cenário de alguns anos atrás. Isso credencia a vinda de novas empresas para o estado”, comenta João Lima, da Codise.
* Esta reportagem é a primeira de duas que serão publicadas esta semana na ASN.
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