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Terça-feira, 09 de Fevereiro de 2010

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02/07/09, 16:40 - Saúde

Capacitação marca 30 anos de sucesso do Método Mãe Canguru

  • Capacitação marca 30 anos de sucesso do Método Mãe Canguru Foto: Wellington Barreto
  • Capacitação marca 30 anos de sucesso do Método Mãe Canguru O neonatologista Alex Santana / Foto: Marcio Garcez / Saúde

Implantado há apenas cinco anos em Sergipe, o Método Mãe Canguru tem apresentado resultados animadores na assistência aos bebês prematuros e de baixo peso. As melhorias consistem na redução da permanência do recém-nascido na Enfermaria Canguru de 14 dias para 11; aumento do ganho de peso para 20 gramas por dia e a taxa de aleitamento materno exclusivo elevada para 80%.

O Método Canguru foi criado em 1979, no Instituto Materno Infantil de Bogotá (Colômbia), e completará trinta anos em 2009. A data será comemorada durante o Treinamento em Atenção Humanizada ao Recém-nascido de Baixo Peso. A capacitação acontece nesta sexta-feira, 3, e no sábado, 4, no auditório do Hospital de Urgência de Sergipe Governador João Alves Filho (HUSE), dirigido a profissionais de saúde.

A capacitação é uma das exigências do Ministério da Saúde quanto ao fortalecimento do método, que faz uso da técnica baseada no amor, calor humano e aleitamento materno como forma de habilitar recém-nascidos prematuros ou com baixo peso. De acordo com o neonatologista Alex Santana, coordenador do Método Canguru na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL), a prática está sendo considerada uma tecnologia humana importante para a redução da mortalidade neonatal. “Temos ótimos resultados em todo o Brasil e no último encontro de gestores, realizado no final de junho, percebemos que podemos melhorar mais ainda, contribuindo para a efetivação do compromisso firmado pelos governadores do Nordeste no encontro que tiveram com o presidente Lula em março, para a redução da mortalidade neonatal”, frisou o médico.

Para ele, algumas ações simples, como uma iluminação suave na UTIN e agrupamento dos procedimentos feitos todos num determinado momento para não cansar o bebê, são instrumentos simples de humanização da assistência, destacados também pelo Método Canguru. “Não podemos esquecer da presença da família junto ao bebê, que é importante para o tratamento dele”, ressaltou Alex Santana.

“É importante que o método seja aplicado em todas as maternidades que atendem aos prematuros e de baixo peso, se não na sua totalidade, por falta de estrutura física, pelo menos, nas ações que busquem uma melhora na assistência aos bebês. Por isso, estamos realizando o treinamento, que terá a participação de profissionais de saúde de outras maternidades também”, concluiu.

Conferências

Em comemoração aos 30 anos de criação do método, sendo 10 anos no Brasil, aconteceram duas conferências no final de junho, em São Paulo e no Rio de Janeiro, com a participação de um dos criadores da metodologia, o médico Héctor Martinez, e de representantes de 328 hospitais capacitados para a técnica. Durante os dois eventos foi lançada a Declaração Universal dos Direitos do Prematuro e instituídos os 10 Mandamentos do Método Mãe Canguru.

Sergipe foi representado pelo neonatologista e coordenador do método Alex Santana, que apresentou os resultados dos cinco anos do Canguru. “Tivemos êxito em comparação a outros Estados e fomos elogiados pelo Ministério da Saúde. A assistência prestada por nossa equipe do Canguru é uma das melhores do país, apesar das dificuldades que às vezes enfrentamos”, destaca.

O Método

O Mãe Canguru nasceu em 1979, no Instituto Materno Infantil de Bogotá (Colômbia), quando, baseado na observação, ciência, experiência e no uso racional da tecnologia, os médicos Héctor Martinez e Edgar Rey Sanabria estabeleceram essa nova forma de cuidado mais humano aos bebês com baixo peso ao nascer. Na época, o que se via era uma situação crítica de superpopulação (mais de uma criança em cada incubadora), infecções, desmame precoce e a ausência de recursos tecnológicos. A mortalidade neonatal era extremamente alta e o abandono materno, freqüente.

“A metodologia Mãe Canguru resgata o direito ao carinho e respeito aos sentimentos do bebê e sua família, convertendo-se em um novo ponto de partida, onde o pequeno ser recebe o amor, calor e alimento para o corpo, para o espírito e para a vida, fundamentos essenciais para assegurar um crescimento adequado”, explica o médico Héctor Martinez.

A técnica consiste na diminuição do tempo de permanência do recém-nascido na incubadora, na colocação do bebê no colo da mãe, na posição canguru, que proporciona o contato pele a pele, além da alimentação exclusivamente com leite materno e do acompanhamento ambulatorial especializado. A transformação mais importante foi manejar os prematuros não por seu peso, mas sim por suas condições clínicas, com alta o mais rápido possível, utilizando-se a posição canguru e o controle no ambulatório.







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