Aracaju, 03 de Julho de 2009| 16:24

Governo investe cerca de R$ 600 mil por mês em medicamentos contra o câncer

Serviço de Oncologia em Sergipe é visto como uma referência para o Nordeste

Sentada numa cadeira de rodas, Maria do Amor Divino comparece a mais uma consulta no ambulatório do Centro de Oncologia do Hospital de Urgência de Sergipe Governador João Alves Filho (HUSE). Na unidade, a paciente relata uma comovente história de superação.

“Há sete anos venho lutando contra um câncer de mama que evoluiu provocando metástase óssea e pulmonar. Cheguei a ficar deitada numa cama sem me locomover por causa das fortes dores em todo o corpo. Hoje, graças à medicação que recebo gratuitamente, tenho mais disposição para continuar vivendo”, desabafa. 

O medicamento que a dona de casa se refere é o Ácido Zoledrônico, conhecido comercialmente como ‘Zometa’. A droga encontrada no mercado pelo preço médio de R$ 1,5 mil, é considerada um importante avanço para a ciência na área oncológica.

“Esse remédio caro evita a destruição dos ossos e ainda diminui as queixas dos pacientes que sofrem com dores intensas. Quando participo dos mais importantes congressos de medicina do país vejo que muitos colegas ficam impressionados com o fato de nós fornecermos o medicamento. Diferente de outros estados, Sergipe assume a responsabilidade e o compromisso com a saúde dos cidadãos. Esse fato tem atraído muitos pacientes de regiões vizinhas”,  conta o hematologista e oncologista Geraldo Bezerra.

Investimentos

Somente em 2008, o Governo de Sergipe investiu cerca de R$ 10 milhões em medicamentos de alto custo para o tratamento de pacientes com câncer. Entre os itens que fazem parte de uma extensa lista e são indispensáveis para tumores raros estão as cápsulas revendidas pela indústria farmacêutica ao preço de R$ 500 (a unidade) e pó para solução injetável em frasco-ampola adquirido por R$ 7,8 mil.

O ‘Mabthera’, por exemplo, nome comercial para o Rituxmab, é eficaz na identificação do linfoma, permitindo assim que as células cancerosas sejam destruídas sem prejuízos para as células sadias. A composição considerada rara é encontrada no mercado pelo preço mínimo de R$ 8 mil e fornecida para 35 pacientes do Centro de Oncologia do HUSE sem nenhum ônus.

“No primeiro semestre deste ano, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) já adquiriu mais de R$ 160 mil em materiais farma-oncológicos, indispensáveis em vários procedimentos. Apesar do conhecimento de poucos, aqui nós também realizamos exames com oferta limitada na rede particular, como tomografias computadorizadas com e sem contraste, imunofenotipagens (teste capaz de identificar e quantificar com segurança populações linfocitárias), mielograma para a avaliação da medula óssea, entre outros”, explica a coordenadora do Centro de Oncologia, Rute Andrade.

De acordo com o secretário de Estado da Saúde, Rogério Carvalho, o serviço de Oncologia em Sergipe é visto como uma referência para o Nordeste. "Mesmo aqueles usuários que pagam mensalidades caríssimas nos convênios, dependem do Sistema Único de Saúde (SUS)”, destaca Rogério Carvalho.

O secretário informa ainda que os balanços financeiros da SES indicam investimentos de aproximadamente R$ 600 mil por mês com medicamentos oncológicos. “Se o tratamento de câncer gera despesas para o Estado, imagine para aqueles que têm um baixo poder aquisitivo. Com essa assistência, além de dar esperanças aos doentes, estamos garantindo qualidade de vida para aqueles que não acreditavam mais na cura e até pensaram em desistir de lutar”, pontua.

Esperança

Seguindo um ritual sagrado, todos os meses o motorista José Agnaldo Alves sai do município de São Domingos e vem até a farmácia do Centro de Oncologia em Aracaju despachar a receita do cunhado. Satisfeito, leva para casa duas caixas de ‘Glivec’, indicado para o tratamento de pacientes adultos com leucemia.

“Desde que ele recebeu o diagnóstico, nós recebemos esses remédios sem pagar nada. Eu até procurei saber os preços, e descobri que a caixa com 30 comprimidos de 400 mg, custa R$ 11,1 mil. Nunca teríamos condições de comprar, por isso, agradeço a Deus e àqueles que são responsáveis por esse benefício aqui no hospital”, diz rJosé Agnaldo.

Com a filha no colo, a dona de casa Vânia Porto não esconde a felicidade. A menina de apenas dois anos concluiu todas as sessões de radioterapia e agora controla a doença apenas com medicamentos. “Não preciso desembolsar nenhum real. Recebo satisfeita os comprimidos para dores e náuseas que estão trazendo a nossa rotina de volta”, destaca Vânia Porto.