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Apoio à candidatura da praça São Francisco a Patrimônio da Humanidade é uma das iniciativas
O Governo de Sergipe escolheu a praça São Francisco, candidata a patrimônio da humanidade e localizada em São Cristóvão, para as comemorações dos 189 anos da emancipação política do Estado. Através do Monumenta, um programa desenvolvido pelo Governo Federal financiado com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e que conta com o apoio da administração estadual, a praça e diversos prédios históricos de São Cristóvão e também da cidade de Laranjeiras têm sido alvo de uma série de ações de conservação e restauração.
Em São Cristóvão, a quarta cidade mais antiga do país, já foram restaurados o Sobrado da Antiga Ouvidoria, a Praça São Francisco e os elementos artísticos do Convento Santa Cruz. Foram realizadas também obras de requalificação da Praça Senhor dos Passos, Largo do Carmo, Praça da Bandeira e Fachada dos Capuchinhos, além de estarem em andamento a restauração do Museu Histórico do Estado de Sergipe e de alguns imóveis privados no município. Somente nessas ações foram investidos quase R$ 1,7 milhão, dos quais mais de R$ 550 mil oriundos pelo Governo de Sergipe.
Estão previstas ainda as restaurações dos elementos artísticos do Museu de Arte Sacra, do Lar Imaculada Conceição e da Igreja Nossa Senhora do Rosário, a restauração da sede da Prefeitura e do Lar da Imaculada Conceição, a requalificação de diversos espaços públicos e a restauração da sede da antiga delegacia da cidade, que será transformada no Museu da Polícia Militar. Nestas obras os investimentos deverão chegar a quase R$ 4 milhões, sendo que mais de R$ 750 mil serão provenientes do tesouro estadual.
Para o governador de Sergipe, Marcelo Déda, os recursos destinados às obras significam muito mais do que a simples recuperação do patrimônio cultural do estado. “Restaurar aquilo que os nossos antepassados construíram significa preservar a memória do nosso povo. Através desse resgate, conseguimos retomar nos sergipanos o orgulho de ter nascido nessa terra e de fazer parte dessa história”, afirmou Déda.
Candidatura
O Governo de Sergipe tem se empenhado para viabilizar a candidatura da Praça São Francisco como Patrimônio Cultural da Humanidade. O título, concedido pela União das Nações Unidas para a Cultura, Ciência e Educação (Unesco), reconhece a importância de bens culturais e naturais e os transformam em patrimônios de todos os povos.
Em abril de 2007, o Governo foi informado da possibilidade da Praça ser reconhecida como patrimônio da humanidade. Em agosto do mesmo ano, uma missão da Unesco chegou a Sergipe e visitou o sítio arquitetônico de São Cristóvão. Durante a passagem, os representantes conheceram os projetos do Governo de Sergipe para a preservação do patrimônio histórico.
A candidatura foi aprovada no durante a 32ª Sessão do Comitê de Patrimônio Mundial da Unesco realizada de 2 a 10 de julho de 2008 na cidade de Québec, no Canadá. A tentativa sergipana está baseada em três argumentos chaves. Quem explica é o historiador Tiago Fragata, coordenador da Comissão Pró-Candidatura da Praça São Cristóvão. “Sergipe surgiu no período da União Ibérica, momento em que o Brasil estava sob o domínio espanhol. As cidades que nasceram naquele período seguiam um Plano Diretor elaborado pela Espanha e o município sergipano seguiu esse padrão. A Praça é um exemplar desse modelo e essa herança hispânica permanece até hoje”, explicou.
Além disso, de acordo com Thiago, a Praça São Francisco é cercada por exemplares da arquitetura barroca, como o convento de São Francisco, que remontam aos séculos XVII e XVIII, fato já reconhecido por diversos historiadores brasileiros. Um outro fato importante é que o local tem permanecido como cenário das manifestações culturais da cidade. “Tanto as posses dos presidentes das províncias, de capitães-mores, solenidades oficiais e manifestações populares como o carnaval tiveram a Praça como palco principal. Ela ainda continua como sede desses acontecimentos”, frisou o historiador.
O reconhecimento do município como Patrimônio da Humanidade poderá trazer uma série de benefícios para a cidade. Isso porque com o título, a cidade poderá receber recursos de diversas entidades nacionais e internacionais para a conservação de seu patrimônio histórico, como já acontece com cidades como Olinda (PE) e Salvador (BA). Países como a Espanha destinam recursos específicos para todas as cidades que apresentem a herança arquitetônica e cultural daquele país.
A candidatura da cidade histórica sergipana será julgada durante a 34° Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco a ser realizada no próximo ano em Brasília, por ocasião da comemoração dos 50 anos da capital federal.
Investimentos
Para atender às exigências da Unesco, o Governo do Estado tem investido em uma série de ações. Uma delas é a realização de serviços de esgotamento sanitário na região do Centro Histórico. Até estão, todo o esgoto da área é despejado no rio Paramopema, mas um investimento de cerca de R$ 7 milhões irá mudar completamente esse cenário. Além disso, estão sendo realizados investimentos na transformação das redes elétrica e telefônica daquela área, permitindo que as fiações passem a ser subterrâneas. Para esta ação foram destinados quase R$ 750 mil.
As obras na rodovia João Bebe Água também irão garantir melhorias ao município. A duplicação da via de acesso à cidade conta com um investimento de R$ 7,6 milhões em 3,5 km que vão da ponte sobre o rio Poxim até a entrada do conjunto Eduardo Gomes. Ciclovias e calçadas também estão sendo construídas.
Aliado a essas medidas, a Prefeitura de São Cristóvão se empenhou para elaborar o Plano Diretor da cidade. Após várias discussões com a população, o documento foi finalmente construído e encaminhado à Câmara de Vereadores para avaliação. Após a aprovação por parte dos parlamentares, ele seguirá para que o prefeito da cidade, Alex Rocha, sancione o documento.
Uma outra importante iniciativa é a atualização e complementação do dossiê de candidatura da Praça São Francisco à patrimônio cultural. O Icomos, órgão técnico da Unesco que avalia as candidaturas previamente à votação, sugeriu a inclusão de um trecho mais representativo da cidade, que contextualiza a Praça e o Convento. Para os representantes do órgão, não apenas a Praça tem condições de ser reconhecida como patrimônio, mas toda a região do Centro Histórico. Uma empresa foi contratada pelo Estado, por meio de licitação, para promover a alteração.
De acordo com o governador Marcelo Déda, o Estado também irá desenvolver uma série de outras iniciativas para viabilizar a candidatura da cidade histórica. “Vamos desenvolver campanhas locais e nacionais para mostrar aos sergipanos a importância de se mobilizar através de abaixo-assinados, atos, seminários e simpósios com o objetivo de fortalecer a imagem de São Cristóvão não apenas em Sergipe, mas em todo o país”, ressaltou Déda.
Todo esse esforço, segundo o governador, faz jus à importância da cidade para o povo sergipano. “São Cristóvão significa, na sua história e seu patrimônio, o esforço do povo sergipano, a história da nossa gente, que também é a história do Brasil. Sendo a história do Brasil, é também a colaboração da experiência brasileira na consolidação da história da humanidade”, sentenciou. Ainda segundo ele, é necessário fortalecer o município como um grande elemento de reforço da autoestima do povo sergipano e de construção cívica do amor à Sergipe.
Reconhecimento
Para o prefeito de São Cristóvão, Alex Rocha, o reconhecimento por parte da Unesco trará uma série de benefícios para Sergipe. “Caso consigamos esse título, o nome da nossa cidade e do nosso estado será divulgado em todo o mundo. Isso proporcionará o desenvolvimento de toda essa região, já que conseguiremos atrair mais turistas e movimentar o comércio”, pontuou.
Ainda segundo ele, todo o esforço empreendido pelo Governo do Estado para viabilizar a candidatura tem sido fundamental para o município. “O Governo de Sergipe está fazendo a sua parte. Todas as obras planejadas para a nossa cidade por conta da candidatura trazem benefícios para o nosso povo. Essas ações foram aguardadas durante anos e só neste Governo estão sendo viabilizadas. Sem esse apoio, ficaria muito difícil conseguir o nosso objetivo”, destacou.
Laranjeiras
Já em Laranjeiras, as ações do Monumenta têm transformado a paisagem da cidade. As restaurações da Igreja Matriz do Sagrado Coração de Jesus, do Casarão do Oitão da Praça da República e do Quarteirão dos Trapiches, esta entregue durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao estado no último dia 12 de junho e que abriga um novo campus da Universidade Federal de Sergipe, proporcionaram o resgate do patrimônio histórico do município. Aproximadamente R$ 3,5 milhões foram destinados às obras, dos quais mais de R$ 800 mil com recursos da administração estadual.
Estão previstas ainda a restauração da carpintaria da Prefeitura, de alguns imóveis privados, do Casarão dos Rollemberg e do sobrado ao lado e a realização de obras de infraestrutura em diversas praças e ruas da cidade, locais onde serão aplicados mais de R$ 2,1 milhões por parte dos Governos Federal e Estadual. A superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Sergipe, Terezinha Oliva, órgão responsável pela fiscalização das obras de restauração, destaca a importância do trabalho do Governo do Estado.
“A participação do Governo de Sergipe tem sido imprescindível para a execução de todas essas ações. A gestão do patrimônio deve ser encarada como uma tarefa de todos os entes públicos e da sociedade e é isso que estamos presenciando. Aqui, diferentemente de outros estados, é a administração estadual quem está colocando a contrapartida financeira necessária para que as obras do Monumenta sejam viabilizadas. Isso é um avanço e mostra a preocupação deste Governo em preservar a memória do povo sergipano”, destacou.
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