Aracaju, 21 de Julho de 2009| 07:24

Prefeitos sergipanos destacam alcance do ‘Plano Sertanejo’

Governo adotou medidas emergenciais para minimizar efeitos da seca no semi-árido

* Por Carlos Lordelo

Abertura de duas linhas de crédito especiais no Banco do Estado de Sergipe (Banese), contratação de tratores para preparar o terreno de micro e pequenas propriedades rurais para o plantio de milho e feijão, perfuração de novos poços artesianos e manutenção e ampliação de aguadas. Essas foram apenas algumas das medidas emergenciais que o Governo do Estado adotou no segundo trimestre deste ano visando minimizar os efeitos da seca na região do semi-árido sergipano. O conjunto de ações foi bem recebido não apenas pelos agricultores familiares e pequenos criadores de bovinos e ovinos, mas também pelos administradores dos municípios beneficiados.

Em Canindé do São Francisco, por exemplo, a Secretaria Municipal de Agricultura fez um levantamento que constatou os prejuízos causados pela estiagem prolongada. “Nós preparamos um relatório da situação em março e contabilizamos a morte de 1,2 mil bovinos, 160 equinos e 263 ovinos e caprinos”, informou o secretário Everaldo Lima, que logo completou sua fala com elogios à iniciativa do Governo do Estado em lançar o ‘Plano Sertanejo’. “Foi a maior iniciativa vista aqui no sertão nesses 4,5 anos e teve uma repercussão muito boa, pois favoreceu não apenas o produtor, mas o comércio como um todo”, completou.

A opinião foi ratificada pelo prefeito Orlando Andrade. Segundo ele, o ‘Plano Sertanejo’ mostrou que o Governo tem entre suas prioridades o atendimento às reivindicações do sertão sergipano. “O Estado não é parceiro somente de Canindé, mas do sertão como um todo. Para nós, essa ação foi ótima, principalmente o financiamento da ração”, comentou. Andrade disse ainda que 95% da ração animal comprada no período da seca pelos criadores de Canindé foi adquirida nas casas agrícolas do próprio município, o que dinamizou a economia da região.

O secretário municipal de Agricultura também explicou que a pecuária e a agricultura estão no mesmo patamar de importância para Canindé, por conta dos perímetros irrigados, e nas regiões que estão fora da cobertura dos sistemas adutores o ‘Plano Sertanejo’ foi de fundamental importância.

“Só aqui, no município, o Estado contratou 4.540 horas de trator para preparar o solo para o plantio e a prefeitura comprou mais 500 horas, beneficiando mais de duas mil famílias. Também foram distribuídas pela Emdagro [Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe] 50 toneladas de sementes certificadas de milho e de feijão entre os agricultores familiares. Por isso, essa ação foi bem-vinda, já que o produtor não teve que se desfazer do gado e da terra para sair da difícil situação pela qual estava passando”, acrescentou Everaldo Lima.

No momento certo


De acordo com o prefeito de Poço Redondo, Enoque Salvador de Melo, a resposta do Governo à situação de calamidade em que se encontrava o semi-árido sergipano chegou no momento certo. “A presença física do governador e do secretariado foi muito importante para o povo do sertão”, disse frei Enoque. No final de março, Marcelo Déda esteve no município, onde participou de uma audiência pública com representantes de diversas comunidades e apresentou as ações que seriam deflagradas com o ‘Plano Sertanejo’.

Entre as iniciativas, o administrador municipal destacou a manutenção e ampliação de aguadas. O trabalho realizado pela Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro) foi fundamental para garantir a dessedentação animal, considerando que Poço Redondo é a segunda maior bacia leiteira do estado. “Ações como essa foram muito proveitosas porque criaram mais estrutura para enfrentar a estiagem prolongada”, comentou.

Ainda segundo frei Enoque, a seca deste ano foi um das mais violentas registradas no semi-árido. “Tivemos muitas mortes de animais e podíamos ver o desespero das pessoas, por isso a atuação do Governo foi decisiva. A gente precisava de um braço forte que ajudasse a levantar não só Poço Redondo, e sim todo o sertão”, finalizou o prefeito do terceiro município que mais recebeu horas de trator – 2.836 ao todo -, precedido por Canindé do São Francisco e Nossa Senhora da Glória, que teve 3,3 mil horas gratuitas para o preparo do solo.

O próximo verão


Saindo do território do Alto Sertão e indo em direção ao Centro-Sul, também é possível encontrar os reflexos da atuação do Estado. Em Sergipe, a zona semi-árida abrange 36 municípios, dentre os quais Poço Verde. Para o prefeito Antônio da Fonseca Dórea, o Tonho de Dorinha, o conjunto de ações do ‘Plano Sertanejo’ foi importante na medida em que a economia do município tem base na agricultura familiar, principalmente no cultivo de milho e feijão. “Muitos desses agricultores não têm condições de plantar ou até mesmo chegam a perder a produção. A ajuda do Governo foi fundamental para esses produtores, seja através do preparo do solo com os tratores disponibilizados gratuitamente, seja por meio da assistência técnica prestada pela Emdagro”, disse.

Os pequenos criadores de Poço Verde também saíram beneficiados com a iniciativa do Estado. O município integra o Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar, modalidade Leite (PAA Leite), do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). “Estávamos com o problema da perda de animais na época da estiagem prolongada e o custeio emergencial do Banese para a compra de ração ajudou os produtores inseridos no PAA Leite a manter a produção dentro do que determina o programa”, lembrou Toinho de Dorinha.

Ainda assim, continuou o prefeito, foram registradas muitas perdas na agricultura e na pecuária devido ao longo período de seca, que durou quase um ano. “Outra ação importante foi a limpeza das aguadas e a recuperação dos poços artesianos porque, quando vierem as chuvas, nós teremos condições de encher esses reservatórios. Assim, no próximo verão a gente não vai sofrer como sofreu no verão passado”, completou.