Aracaju, 18 de Agosto de 2011| 18:52

Mestres folclóricos dividem conhecimento com público do 'Agosto Para Todos'

Encontro faz parte da programação do ‘Agosto Para Todos’, desenvolvida pela Secretaria de Estado de Cultura

Mais uma tarde de debates aconteceu nesta quinta-feira, 18, no Centro de Criatividade.  Mestres da Cavalhada de Canindé do São Francisco e do Maracatu do povoado Brejão, de Brejo Grande, estiveram reunidos para discutir temas relacionados à cultura popular sergipana.

O encontro aconteceu na terceira etapa da ‘Roda Griô’, uma série de debates que está movimentando a programação do ‘Agosto Para Todos’. O projeto é da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), executado com recursos do Fundo Estadual de Desenvolvimento Cultural e Artístico (Funcart), em comemoração ao mês do folclore.

O diretor do Centro de Criatividade, Isaac Galvão, que é também um dos organizadores do evento, afirma que os debates estão sendo muito proveitosos, tanto para os mestres, quanto para o púbico que acompanha as conversas. “Isso é fundamental, pois estamos começando a despertar as pessoas para ouvirem o que os mestres têm a falar sobre cultura popular. Além disso, com debates como este, o público geral pode conhecer e se identificar com estas ricas manifestações sergipanas”, ressaltou.

Intercâmbio

Tanto para os mestres quando para a comunidade que esteve presente na Roda, o debate foi muito proveitoso para repartir conhecimento e dividir as alegrias da cultura popular sergipana.

O mestre Luiz Marcos da Silva, da Cavalhada de Canindé, destaca que ficou muito feliz com o convite e por poder representar seu grupo em um debate tão importante. “Temos amor pela cavalhada desde o berço, e hoje tenho filhos que já estão trilhando este caminho. Vir para esses debates é muito bom, pois torna nosso trabalho mais conhecido e valorizado”, completou.

O público que esteve presente aprovou a iniciativa. A aposentada Maria Creusa Alves, que mora na comunidade Maloca, no Getúlio Vargas, saiu de sua residência e não se arrependeu. Para ela foi muito bom conhecer um pouco mais da cultura sergipana. “Encontros como este são muito bons para as pessoas valorizarem mais a cultura”, observou.

As manifestações

Cavalhadas são uma celebração portuguesa tradicional que teve origem nos torneios medievais, onde os aristocratas exibiam em espetáculos públicos a sua destreza. Era um ‘torneio’ que servia como exercício militar nos intervalos das guerras e onde nobres e guerreiros cultivavam a praxe da galantaria.

As cavalhadas recriam os torneios medievais e as batalhas entre cristãos e mouros, algumas vezes com enredo baseado no livro Carlos Magno e Os Doze Pares da França, uma coletânea de histórias fantásticas sobre esse rei. No Brasil, registram-se desde o século XVII e as cavalhadas acontecem durante a festa do Divino, nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil.

Já o Maracatu é uma dança folclórica de origem afro-brasileira, típica do estado de Pernambuco. Ela surgiu em meados do século XVIII, a partir da miscigenação musical das culturas portuguesa, indígena e africana. É uma dança de cortejo associada aos reis congos. Os maracatus, tradicionalmente, surgiram e se desenvolveram ligados às irmandades negras do Rosário. Os maracatus há um forte componente religioso.

Os brincantes do maracatu dançam ao som de instrumentos como tarol, zabumba e ganzas. As danças são marcadas por coreografias específicas, parecidas com danças do candomblé e os participantes representam personagens históricos (reis, embaixadores, rainhas).