Aracaju, 01 de Setembro de 2008| 00:01

Ponte Joel Silveira: uma obra para o turismo e desenvolvimento de Sergipe

Construção segue curso normal e tem encerramento previsto para o primeiro semestre de 2009

* Por Igor Matheus (estagiário)

“Salto esculpido sobre o vão do espaço; em chão de pedra e de aço; onde não permaneço: passo”. Os versos de ‘A Ponte’, da poetisa paraibana Zila Mamede, vão muito além da descrição de uma travessa de comunicação entre dois pontos. As poucas frases falam, na verdade, de uma transição. Entre as margens do rio Vaza Barris, no trecho que separa a capital Aracaju do município de Itaporanga, a mesma construção pensada pela poetisa é erguida sob um raciocínio parecido. Mais do que um elo entre dois lugares, a ponte Joel Silveira é o acesso de Sergipe rumo à ampliação de seu potencial turístico e do seu desenvolvimento.

Para garantir isso, o Governo de Sergipe e o Ministério do Turismo firmaram parceria e aplicaram mais de R$ 50 milhões no empreendimento, que ligará a região do Mosqueiro, em Aracaju, à cidade de Itaporanga D’ajuda, distante 29 km da capital. Iniciadas em março de 2007, as obras seguem o cronograma normal de trabalho e têm o encerramento previsto para o fim do primeiro semestre de 2009.

Mãos no vão do espaço


Para erigir uma das maiores pontes em construção no país, trabalha uma mão-de-obra de aproximadamente 300 funcionários, entre armadores, carpinteiros, operadores e equipe técnica. E é deles que vem as primeiras impressões sobre uma das mais importantes ações de infra-estrutura do Governo do Estado. Entre um e outro recipiente de concreto que era preenchido para o teste de resistência, o pedreiro Heraldo Fontes Santos, há seis meses empregado na obra, olhou para as bases que começam a se erigir da linha d’água e refletiu sobre a importância da ponte. “Ela vai trazer mais turistas pro Estado. Acho muito bom, e tudo aqui está caminhando bem”, disse.

Já o motorista José Luís dos Santos, lotado há cinco meses na construção sobre o rio Vaza Barris, ressaltou a importância dos empregos gerados. “Muitos estavam sem trabalho antes da ponte. Essa obra deu ocupação para muitos pais de família”. Opinião compartilhada pelo armador Edenelzo Medeiros Correia, que há cinco meses contribui com a obra. “É bom estar trabalhando. Melhor do que ficar parado”, destacou. Sem nenhum esforço, o trabalhador ressaltou ainda o valor da construção que ajuda a levantar com as próprias mãos. “Essa obra vai trazer muita coisa boa para nós”.

Chão de pedra e de aço


Mais de 6 mil metros cúbicos de concreto. Quase 800 mil quilos de aço. Cento e vinte estacas de sustentação, somando um total de mais de 4,7 km de comprimento só de vigas. Ainda que sejam grandiosos, os números não correspondem ao total da obra. Os dados acima indicam o que foi feito apenas na primeira metade da ponte Joel Silveira, onde foram aplicados, até o momento, mais de R$ 18 milhões. Até a entrega da obra, serão empregados 20.636,72 metros cúbicos de concreto, cerca de 2,5 milhões de quilos de aço, tudo sustentado em 168 estacas que totalizarão, juntas, aproximadamente 7 km de comprimento.

A ponte Joel Silveira terá 1.080 metros de comprimento por 14,20 metros de largura e compreenderá duas pistas de rolamento e uma área de passeio. Das 15 bases que sustentarão a edificação de uma margem a outra, 12 já estão fincadas. Cada base de sustentação é formada por 15 estacas, que chegam a 50 metros de altura em terreno submerso mais profundo, e um bloco de concreto com 1,20 metro de altura por 126,56 metros cúbicos de superfície.  ‘Depois de fincadas as bases, inicia-se a montagem dos tabuleiros, e logo depois começa o revestimento asfáltico’, detalha Ézio Faro, diretor-presidente do Departamento de Estradas e Rodagem (DER). Com a estrutura pronta, a distância da água em maré alta até a base do trecho mais alto da ponte – o chamado ‘gabarito de navegação’ – será de 17 metros, medida que permitirá a passagem de quaisquer embarcações.

Salto esculpido


De acordo com Ézio Faro, o acesso proporcionado pela ponte Joel Silveira valorizará o litoral sul tanto entre os próprios sergipanos quanto para os visitantes de fora do Estado.  “Essa obra permite uma economia de 30 a 40 km no deslocamento entre Aracaju e Itaporanga. De um lado, haverá melhora de acesso para os próprios sergipanos, que passarão a vir mais ao Abaís, à Praia do Saco e à Caueira, trazendo mais desenvolvimento para esses locais. Por outro, haverá mais facilidade para o turista que vem de Salvador, que é aquele que mais traz emprego e renda para Sergipe”, detalhou.

Ainda segundo o diretor do DER, a obra sobre o Vaza-Barris se constitui no primeiro passo de um extenso plano de interligação de Sergipe com outros estados do nordeste. “Além da ponte Joel Silveira, há ainda os projetos da ponte Terra Caída/Porto Cavalo e outra em Brejo Grande, ambas em fase de licitação. Com essas obras, será possível ir de Recife a Salvador sem haver necessidade de passar pela BR-101. Com o alto fluxo de veículos margeando o litoral, a região será desenvolvida”, ressaltou Faro. “A ponte Joel Silveira é muito mais do que uma grande obra de engenharia. É uma obra de integração”, completou.

O presidente da Empresa Sergipana de Turismo (Emsetur), José Roberto Lima, também destaca a obra como grande potencializador do trânsito turístico de Sergipe. “A ponte Joel Silveira possibilita a integração, via turismo rodoviário, com o fluxo nacional e internacional que hoje visita a Bahia e ainda viabiliza a construção do corredor turístico e litorâneo entre Pernambuco e Bahia. Além disso, melhora a ligação com o nosso principal emissor de turistas, que é justamente o estado da Bahia’, observou.

Ainda para Lima, a relação entre turismo e infra-estrutura é um indicativo da atenção dada pelo Governo de Sergipe às potencialidades do Estado. “O acesso rodoviário é o principal meio de locomoção de turistas do país. Por isso, aperfeiçoar a infra-estrutura para desenvolver o turismo representa visão estratégica da administração”, ressaltou.