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'Orquestra dos Meninos' resgata história do maestro Mozart Vieira

História se baseia na trajetória e dificuldades vividas por Mozart à frente da Orquestra
29 de Setembro de 2008 | 14:22

Em 1993, a beleza da música feita pelos 'Meninos de São Caetano' ou 'Banda Sinfônica do Agreste' ganhou destaque por meio de reportagens exibidas em cadeia nacional. Tocando em meio à paisagem seca do Agreste pernambucano, o grupo de música clássica formado por meninos carentes da cidade de São Caetano conseguiu emocionar todo o Brasil. O responsável por dar harmonia a esse grupo era o maestro Mozart Vieira. Há 20 anos trabalhando com o projeto, ele viu o seu sonho se desmoronar no início de 95, quando foi acusado injustamente de ter seqüestrado um dos seus alunos.

Nesta segunda-feira, 29, essa história da vida real ganhou mais um capítulo. No filme 'Orquestra dos Meninos', Mozart aparece como personagem principal de uma trama que se baseia na sua trajetória à frente da Orquestra. "Tinha uma mancha muito profunda na alma e o filme foca muito esse episódio de janeiro de 95. Passei muitos anos sem dormir bem, pensando como explicar aos meus filhos, aos netos, o que tinha acontecido", lembrou Mozart, durante entrevista coletiva concedida no Palácio dos Despachos durante esta manhã.

Hoje, livre de qualquer acusação, Mozart não esconde a emoção de ver, nas telas, o drama por que passou. "Eu me preparei muito para esse momento. Mas só de ver o trailer já me emocionei de novo", declarou. O longa-metragem representa uma volta por cima para quem nunca deixou de passar por dificuldades para realizar sonhos. "Para o nordestino tudo é proibido, tudo não pode, é impossível. Vir de uma classe que está à margem da sociedade é algo muito forte. Têm que se chegar a algum lugar", disse o maestro.

Responsável por incorporar o Mozart do filme, o ator Murilo Rosa disse que tentou emprestar um pouco da sua sensibilidade para transmitir às pessoas o trabalho e a emoção do personagem. "Me identifico com ele, que tem vontade, que tem emoção. Fico muito emocionado porque no fundo o verdadeiro artista é esse", declarou o ator.

Fundação

O trabalho com a Banda de São Caetano cresceu e atualmente Mozart toma conta da Fundação de Música e Vida, na cidade pernambucana de Belo Jardim. Muitos dos meninos da história original hoje são voluntários do projeto que atende 200 meninos de 7 a 18 anos e é apoiado por duas associações francesas: a Sabiá e a Gota D'água.

A fundação vive com dificuldade, extraindo dinheiro principalmente dos concertos que realiza. O maestro, que mora em Belo Jardim, é também regente titular da Banda Sinfônica do município e ainda funcionário da escola agrotécnica local. "Sempre acreditei. No meu dicionário o impossível nunca existiu", falou.

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